sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A Origem do Cão




É entre os mamíferos placentários, da ordem dos carnívoros, que se encontra a família dos canídeos, na qual está a espécie Canisfamiliaris, nosso amigo peludo com mais de quinhentas formas diferentes reconhecidas ou em vias pela F.C.I..

Cães domésticos americanos

Os viajantes que primeiro aportaram à América contaram em suas relações de viagens que aqui vivia, em domesticidade, várias raças de cães.

Por outro lado, numerosos foram os achados de cães nos túmulos de nativos americanos que aqui viveu em épocas remotíssimas.

Ainda, como comprovação da domesticidade deste velho amigo dos humanos, temos o fato de existir a palavra cão em centenas de idiomas nativos como deu prova o estudo de Childe.

Seja qual for lugar de origem dos primitivos habitantes da América, vieram pelo antigo istmo de Bering, ou ainda, através do Pacífico. É perfeitamente admissível que o cão da Eurásia chegasse com as primeiras correntes povoadoras.

A origem

Procurando o homem a história de sua vida voltou-se para o seio da Crosta através da Paleontologia, verificando ter sido o cão o mais antigo animal domesticado.

Não resta dúvida de que os cães em grande parte descendem de lobos e chacais domesticados pelos povos primevos da Terra.

No Neolítico, há uns 10.000 anos ou mais o cão já era um fiel companheiro, como escrevem W.M.Reed e J.M.Lucas.

O cão mais antigo cuja averiguação se acha bem averiguada é o cão das turfeiras, descoberto nas estações lacustres da pedra polida, este cão destinado provavelmente a caça e a guarda, era de pequeno talhe assemelhando-se ao chacal, seria então algo precedente dos nossos terriers?

Teorias

Várias teorias tem tentado explicar a origem do cão moderno, aliás tendem a limitar o Lobo como o ancestral comum a todas as raças, no entanto é grande o número de indivíduos cujo senso não admite essa teoria, como Magne de La Croix, que admite pelo menos três tipos diferentes de ancestrais.

Grupos diferentes de ascendência

Não abordando os cães exclusivamentede luxo e perros fradilgueiros, cuja seleção foi no sentido de animais menores e de origem relativamente conhecida, de que o homem primitivo não tinha a menor preocupação de se ocupar, por necessitar absolutamente de auxiliares e não cães de luxo, supomos que existissem três grupos de distinta origem:
  • ovelheiros ou pastores (mais recentemente domesticados)
  • caça (lebréis e seus cruzamentos)
  • guarda e defesa (antigos pré-molossos e cruzamentos)

O homem necessitou primeiro de um auxiliar para caça e guarda em sua jornada evolutiva, antes de apreciar os cães que lhe pastoreassem o rebanho, situação posterior, quando de nômade-extrator passa ao pastoreio e cultivo de sua área de permanência.

Os cães utilizados pelos esquimós, os Malines, os ovelheiros alemães, Belgas, apresentam muita semelhança com os lobos, sendo de ciência comum sua ancestralidade.

Passando agora ao grupo de cães tipo lebréis, tratam-se de animais com patas longas, longilíneos, com tipo muito uniforme sendo difícil não admitir que descendam de um tipo comum selvagem que apresentava esses caracteres. O galgo foi domesticado desde a mais alta antiguidade e é provavelmente originário do sul da Ásia e norte da África.

Na África existe um tipo lupóide na região da Abissínia, muito parecido com os lebréis de pelo curto, embora menor, de qualquer maneira existem outros lebréis de pelo comprido que podem ter descendência de animais extintos, ainda existe um lobo brasileiro, Lobo Guará (Crysocyon brachyurus), que tem muitos pontos de contato com os galgos, sabemos que outrora formávamos um único continente com a África, sendo possível estabelecer qualquer analogia entre nosso guará e o ancestral extinto dos lebréis.

Para nos aprofundarmos nessas teorias devemos lembrar que o tipo original em muito se diferencia das raças citadas pois todas tiveram emissão de vários sangues diferentes em sua caminhada com o homem.

Como exemplo encontramos de caça e rasto que se aproximam dos lebréis (Braco de Dupuy) e outros pesados como o Bloodhound e entre os dois extremos uma enorme escala de variações.

A história revela que na época das cruzadas vários galgos foram trazidos para Europa, onde tiveram grande vulto devido a sua velocidade e foram usados em cruzamentos com o tipo molossóide que eram morosos embora dotados de fino olfato (Bloodhound).

O cão de Santo Humberto que os anglo saxões chamam de Bloodhound, representa o que nossos ancestrais medievais utilizavam em suas caçadas. E um cão de porte grande, de cor negra no lombo e fogo abaixo das costelas e membros, cabeça grande e quadrada, pele solta, rugas, olhos fendidos mostrando conjuntiva, lábios caídos, orelhas amplas,fronte alta, pescoço longo com barbelas, lombo comprido, patas largas e fortes. Na época da conquista das Gálias pelos romanos, os gauleses empregavam esses cães nas caçadas e igualmente nas guerras. Tal raça comportava duas variedades, uma de pelo curto e outra griffon, sido descrita sob o nome de cães segusianos por Arrien no século II e dela descendem por meio de cruzas com lebréis as atuais raças "griffon" de rasto.

Examinemos também outros velhos tipos de cães Europeus, como antigos mastins, old mastiffs, dogues de Bordéus, e os agressivos e pesados old bulldogs que representam o velho tipo de dogue, verficamos certa semelhança, afinal são volumosos, prognatas, com grandes orelhas, molossos por excelência (podemos fazer comparativo com a raça Fila Brasileiro). Com o tempo foram sofrendo modificações, porém são todos encorpados com forte instinto territorial, proteção e intimidação alta. Para um atento observador esses animais provém de uma mesma cepa que dificilmente derivariam de um lobo.

Na análise das ossadas pré-históricas, verificamos com Rutimeyer que os cães são o mais antigo animal doméstico conhecido. Com efeito tem-se encontrado ossos de nossos peludos nas cozinhas ante-históricas da Dinamarca e nas habitações lacustres da idade da pedra. Segundo pesquisas este cão pertence a uma mesma raça, de tamanho médio tendendo para o grande, de crânio volumoso e focinho curto, sendo completamente distinto de um lobo.

Mais tarde na idade dos metais se encontram cães com ossos maiores, na Dinamarca e Suiça, provavelmente uma variedade da espécie anterior, ou uma seleção induzida por séculos na busca de cães mais próprios para os labores em um orbe totalmente inóspito.

Somente em época mais recente se encontram cães tipo lobo.

Em raras circunstâncias encontramos ossos quebrados com extração da medula para consumo humano, o que demonstra a utilidade desses animais desde os primórdios de sua domesticação, para uso na caça e guarda, anteriormente a do tipo lobo.

Como não encontramos esse espécime braquicéfalo em seu estado selvático, supomos tenha sido extinto ou se incorporado em definitivo ao contato humano.

Assim teremos teoricamente três desenvolvimentos distintos:
Cães do Norte, tipo lobo, com uma silhueta retilínea,
Cães do centro com um perfil côncavo, lembrando um animal que se situa entre o Mastino Napolitano e o Bulldog primitivo,
Cães do Sul, longilíneos e de perfil convexo, como fazem lembrar os lebréis.

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